Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Abutres sociais

 

Escrevo em meio do que sou e do que vejo.

E digo-vos, com certeza:

 

A vida é um teatro. Mas é que é mesmo. Todos os dias pisamos um palco e protagonizamos um papel.  Mesmo que seja um papel secundário, essa parte é  nos inerente. Pode ser insignificante e, provavelmente, até os porcos merecem melhor. Mas, lá esta, às vezes, é suposto ser essa a nossa função. Sermos o background da peça. Ao menos temos um papel, mesmo sendo este, perdoem-me o português, um papel de merda. Somos marionetas, os veículos com rumo pré-definido. As vezes, farto-me de ser actriz e revolto-me contra este sistema que me é impingido. Custa me ficar parada, a aceitar uma realidade nojenta.

Há uns dias disseram-me qualquer coisa do género:

"O Homem é um ser bio-psico-social"

Pois é, sem dúvida alguma! Não é preciso ser génio para compreender o que de facto somos. Uma cambada de abutres que accionam o alarme quando vêem um corpo sem cabeça a falar sozinho (e se o que acabei de dizer não foi suficientemente explicito, então não leias mais)

 

 

Pah, odeio generalizar mas a verdade é que 99,8% daquelas generalizações estúpidas, ignorantes e preconceituosas são verdadeiras. Muitos negam, tentando mudar a direcção do seu veículo e afirmam " eu não sou assim e não penso dessa maneira" mas a verdade é que metade do teu rebanho não pensa como tu e, com o tempo, aculturas-te (esta palavra, provavelmente não existe no teu planeta).

Enquanto tentar mudas a direcção do teu veículo, enquanto pressionas os outros para revoltarem-se contra o sistema, vês pela primeira vez que todos os outros do teu rebanho tem papéis principais e que não são ovelhas negras como tu e como tal, recusam-se.

E tcharan, o belo processo da aculturação faz-se.

 

 

O que é uma pena porque as vezes as melhores qualidades são encontradas atrás das cortinas, nas tais ovelhas negras ofuscadas pelos rebanhos perfeitos.

 

 

Conclusão: Cavaram, enterraram e cuspiram em cima do psico e, para acabar a receita misturaram com azeite o bio e o social.

 

 

 

 

À parte do que me vai na cabeça, estou contente : D porque as pessoas que são realmente as minhas ovelhas, comem paletes de psico ao pequeno-almoço e cagam todas as noites postas de bio.

 


Som:: So I need you - 3 doors down


Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Incoerências

  

 

Pões me a pensar. Tenho tudo arrumado. Pelo menos aparenta estar. Os livros estão no seus sítios, imóveis mas impacientes. Os cadernos que cheiram a novo também. Está tudo preparado para um novo começo ou será a continuação de algo? O que está ao meu alcance está no devido sítio, tangível. Às vezes penso, como é que me preparo para o que está para vir. Como tenho forças para continuar e ser mais forte que eu.  Ser mais forte que eu e superar o corpo que diz que não, que não consegue. Existe sempre qualquer coisa a deitar-nos a baixo, a tentar desistir. É uma luta constante dentro de mim. Lutar ou desistir. Porém a mente que é algo incrível cuja força é simplesmente descomunal. Capaz de contrariar, iludir, dissuadir e até mesmo enganar um corpo cansado. Mas, quem prepara a mente ? Preciso de arranjar as minhas prateleiras que estão caídas no chão quebradiço e poeirento. Arrumar a minha mente aparentemente forte e a minha  fraca vontade.

 

Preparar-me.

Controlar as minhas acções.

Obter resultados.

Ser consciente de que sou mais forte do que pareço.

 

Quero realizar. Acabar o monstro dentro de mim que diz que não consigo.

Não, acabar com o monstro não! Ele viverá bem dentro de mim pois ele torna-me mais forte, mostra-me que quanto mais me desafiam mais eu consigo obter de mim.

 

Por isso, vou arranjar as minhas prateleiras velhas e cansadas. Vou arrumar os meus livros imaginários nela. E vamos começar tudo de novo como se não tivesse acontecido nada. E vamos conseguir outra vez tudo de novo. É possível porque existe algo dentro de nós que consegue ser mais e melhor que normalmente somos e puxa-nos para frente pois caso contrário seriamos estátuas. Incapazes de dar o próximo passo. O passo que nos leva ao desafio que tememos. Essa voz existe para cessar toda essa hesitação tola e despromovida de razão. Basta acreditar que podes ser melhor e fazeres por isso. E puxares te ao limite e veres os resultados. Ninguém tem o que tem sem ter lutado por isso.

 

 

 

 

Só não existem "estrelas" no céu se não quiseres que lá estejam.

 

 

 

 

Ciao.

 

 


FEEL LIKE..: GET READY FOR...
Som:: Qualquer coisa dos Lamb.


Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
Long time no see

Sinto-me um pouco mal pelo facto de ter ficado quase um ano sem escrever aqui...

Bem a verdade, é que vieram as férias de verão, onde raramente me encontrei em casa, mal mexi no computador...Logo depois, começou a escola outra vez ,e estava decidida a atingir uma certa média. De modo que, para conseguir isso tive de abdicar de algumas coisas, e o meu bloguezito foi uma delas...(conclui que passava demasiado tempo na net)

Pelo menos uma coisa é positiva: melhorei razoavelmente as minhas notas, tendo atingido, pelas minhas contas a média que so no terceiro período do outro ano consegui! Estou realmente contente, mesmo sabendo que podia ser melhor se não tivesse ficado um pouco relaxada depois de ver as notas da primeira "ronda" de testes..

Estava a tentar desculpar-me só para mostrar que não abandonei o Fool's Paradise, pelo menos completamente!

 

 

Nesmo momento estou a ler uma trilogia de Stephenie Meyer, de certo que já ouviram falar do filme, "o crepúsculo", ou simplesmente, "twilight". Estou a gostar bastante, aliás em quatro dias, li dois livros dessa "saga" e agora, estou infelizmente à espera do livro "breaking dawn", que demora mil anos, ou pelo menos dá essa sensação, a ser transferido da fnac do Chiado para a fnac do colombo. Incrível, mas não me ponham a falar disto, que fico...fula!

A história cativou-me bastante, talvez por o termo de vampiro ser abordado noutro modo (não que ao longo da história exista muitos relatos sobre vampiros, estou a referir-me aos filmes até agora feitos), não como uma besta mas, sim como alguém que se esforçava por ser diferente e consequente resistir à tentação de matar pessoas. É bom ver novas abordagens de assuntos "estranhos". Não faço a mínima ideia se existem ou se existiram mas, que este e mais assuntos são falados desde os confins da história, lá isso são, não que isso lhes confira veracidade. Se não fosse para estes assuntos (e outros mais, como a bruxaria, enfim todos os atentados à palavra da igreja) para quê serviu a tal chamada, Inquisição, de que tanto já ouvi falar, que combatia esses seres "diferentes" e considerados heréticos?

 

É uma bela história, cheia de amor e aconselho vivamente a verem o filme ou para uma abordagem mais completa, lerem o primeiro livro e os outros também, se gostarem claro. É pena serem caros, mas também, agora é raro o livro que não é caro (com muita pena a minha carteira)! Aproveitem os saldos, vão à Fnac. Tão cedo não vou à Bertrand, reparei que é um tanto mais cara.

 

 

Para mais informações sobre os livros, vejam o site da escritora Stephanie Meyer, pesquisem com o nome dos livros "crepúsculo", "Nova Lua", "Eclipse", "Breaking Dawn" e tem ainda "Midnightsun" (penso eu que é este o nome do livro, ainda está a ser escrito mas há um excerto bastante grandinho dele no site da escritora- que podem fazer download como eu fiz.-, este livro corresponde ao crepúsculo mas adopta a visão de Edward e não de Bella, como nos outros).

 

 

 

Peço desculpa por não responder aos comentários, a verdade é que gostava de ter tempo para estar sentada ao computador mas não tenho. Mas espero vir a ter!

Ah, lembrei-me agora! Fiquei espantada com o número de visitas que o meu blog tem, não imaginava que fossem tantas...até parece que é interessante! De qualquer maneira, pode corresponder ao número errado, sei la eu...

 

 

Até a uma próxima!

Desejos de um ano maravilhoso e que a "crise" não se mostre tanto como a adivinham!

 

 


FEEL LIKE..: tranquila
Som:: Debussy


Sábado, 12 de Abril de 2008
...

" Dá-me o telemóvel."

O que aconteceu não me surpreende nada, pelo que existe bem pior. E sinto-me soviética quando pessoas perante a notícia agem totalmente ofendidas, como se nunca considerassem possível isto acontecer.

Não estou a dizer que o mal é da minha geração, até porque não é um caso que dita a educação em Portugal, mas lá porque os outros casos não foram parar ao youtube não quer dizer que eles não existam.

Pessoalmente, não me agrada o facto de não puder utilizar o telemóvel assim como não me agrada a historia das aulas de substituição e das faltas, mas já não estou no 5º ano, não estou ensino obrigatório e portanto se quero aprender submeto-me às regras que btw prejudicam-nos imenso..

Penso que não é pelo facto de haver leis para tudo e mais alguma coisa que este assunto acabará, até porque os portugueses arranjam sempre uma maneira de contornar as leis, sejam elas quais forem...Desde conduzir alcoolizado a fumar em locais fechados a utilizar telemóveis dentro da sala de aula...

Para mim o que defini um bom professor para além do método de trabalho, é a maneira como lida com os alunos. Os adolescentes são pessoas em fase de crescimento, com a personalidade a ser traçada e portanto os professores tem grande influência sobre eles.

Um professor que nas primeiras aulas mostra-se rígido, exige respeito e não dá espaço para brincadeiras, é aquele que mais tarde irá conseguir ser respeitado quando a matéria do sumário não é o assunto de conversa.

Associo também esta lógica ao insucesso escolar, uma professora respeitada consegue cumprir o programa da disciplina e acaba por gerar algum interesse por parte dos alunos na disciplina enquanto que se não for, dificilmente acabará o programa e conseguirá que os alunos tenham retido alguma informação.

Os alunos pedem para serem tratados como adultos e no entanto não sabem como se comportar. O professor é a «entidade» máxima na sala de aula e como tal deve ser respeitado, não existe lugar para reacções descabidas...

O estatuto do aluno já é suficientemente mau para fazerem isto, nem quero imaginar que consequências irá trazer...

A esta hora deve estar a ministra da educação a pensar na sua próxima lei!

Como já disse os professores são um pilar importantes na nossa educação, constroem bases para os nossos ideais e para não falar o futuro que nos proporcionam, mas não existe nada melhor do que o poder paternal. São os pais que ensinam a distinguir o bem do mal, como agir em determinadas situações, a respeitar os outros, a ser justo...

Educar uma pessoa tem muito que se diga, exige responsabilidade e sabedoria, saber lidar com um jovem é bastante complicado... Como diz um ditado, " De pequenino se torce o destino", ceder a caprichos em criança pode resultar nisto, talvez um grande e sonoro "Não" evitasse muitas crianças mimadas!

Mas toda esta educação torna-se silêncio quando o barulho da natureza do ser humano é maior, isto é, apesar da liberdade do adolescente, no geral, ser mínima, é ele que decide como reagir e portanto constrói-se. 

Por exemplo se abandonarmos alguém instruído, sozinho, durante vários anos numa ilha selvagem, se mais tarde a fomos buscar é provável verificarmos que essa pessoa tornou-se  mais "primitiva", a comunicação tornou-se mais rudimentar e que alguns  hábitos humanos foram esquecidos. Acontece o mesmo com os adolescentes mas o processo demora menos tempo... apesar de termos sido ensinados a fazer isto e aquilo, devido a varias razões escolhemos um caminho diferente, que por vezes não é o mais correcto.

Não concordo com o que a professora fez, evitava todo este problema convidando a aluna a por o telemóvel em cima da mesa dela e dizendo-lhe que podia reavê-lo quando o encarregado de educação fosse ao conselho executivo busca-lo, mas lá está ninguém é perfeito. Se a aluna recusasse  chamava alguém para a por na rua, falta disciplinar com direito a processo e pronto acabava ali, isto se não houvesse nenhuma reacção inesperada da aula.

Posso não concordar com a reacção professora mas é obvio que também não concordo com a falta de respeito por parte da aluna, como já disse o professor é a entidade máxima e como tal deve ser respeitado.

Consta-me que existe quem arranje maneira de fazer dinheiro com este caso, produzindo t-shirts (músicas e vídeos para o telemóvel também) com as frases mais emblemáticas do acontecimento. O caso só por si denigre a imagem da Educação em Portugal não era preciso alminhas como estas a ajudarem a festa!


FEEL LIKE..: OKEY.
Som:: guns n' roses- november rain


Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
Gostar

" (....) esta obsessão relativa à «imoralidade» sexual é nem mais nem menos um dos mais velhos temores sociais do homem: o medo do prazer. E, como o prazer sexual se conta entre os mais intensos e vivos que se podem sentir, acaba por se ver rodeado de precauções e receios extremamente acentuados. Por que é que o prazer assusta? Suponho que será porque nele temos muito gosto, demasiado gosto. Ao longo dos séculos , as sociedades tentaram sempre evitar que os seus membros se comprazessem em satisfazer o corpo a toda a hora e momento, esquecendo-se do trabalho, da previsão do futuro e da defesa do grupo: a verdade é que uma pessoa nunca se sente tão contente nem tão de acordo com a vida como quando tem prazer; somente, se com isso esquecer tudo o mais, acabará por nao viver muito tempo."

Fernando Savater, Ética para um jovem

 

 

 

 

O meu computador avariou, e só voltou hoje. Sem um único ficheiro mas voltou, e logo eu que tinha trabalhos desde o 5.ºano!



FEEL LIKE..: P.S: I Love You (Filme)
Som:: rahm rahm

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Domingo, 23 de Dezembro de 2007
Ho, Ho, Ho
Como já devem ter reparado o blog levou umas mudanças : D
E ainda vai mudar mais... Ano Novo a chegar... 'Cara Nova!', sim porque o blog também merece : D


Desejo a todos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo : D


Não sou de ler Anas nem Marias,
nem nada do genero mas ontem por acaso estava a minha frente e li, na parte das curiosidades estava uma no minimo engraçada. Passo a citar:

" PAI NATAL SEM EMPREGO

Um Pai Natal foi despedido de uma loja na Australia por ter dito "ho, ho, ho". No estabelecimento tinham pedido que não fosse usada a palavra "ho", porque no calão inglês significa prostituta e poderia ofender os clientes."

(foto retirada da net)

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Sábado, 8 de Dezembro de 2007
Viver faz chaga.
Há uns dias houve na minha escola a Feira do Livro, onde eu gastei a minha mesada toda, de bom agrado. Não resisti em comprar: O Memorial do convento, Os Mais e a obra completa de Fernando Pessoa e com muita pena não pude comprar a obra completa de Florbela Espanca.
Ando com a música de Luís Represas- "Ser poeta é" na cabeça, já dei por mim a cantá-la e tudo.


Viver faz chaga.

Há dias que não vale a pena sair a rua. É nestas alturas que as palavras não soam como queremos e tudo parece errado. É também nestas alturas que devemos pensar, ser racionais e funcionar como uma pessoa com cabeça, tronco e membros.
É nestas alturas que fechar os olhos dá-nos a sensação de flutuação e quando algo nos toca não nos afecta, aliás o estado de "hibernação" é demasiado intenso para sentirmos algo, estamos demasiado envolvidos. Mergulhamos no mar imenso que é o nosso interior, usamo-lo como uma concha, um refúgio de tudo e todos. Por vezes é melhor ficar em casa. Porque viver implica pensar, implica agir e tudo isto racionalmente. Por isso viver cansa, diria mesmo que chega a ser exaustivo.


Com muita pena aprendi que não há nada mais genuíno que o riso de uma criança. Puro como a neve. Sincero. Verdadeiro. Às vezes gostava de ser um objecto. Queria não ter de olhar, sentir, ouvir. Queria abstair me de tudo e  não ter de ouvir as besteiras que oiço diariamente, queria não ver nada, queria não ser nada.

Este mundo é tão imundo. Sinto arrepios só de pensar. Pior mesmo do que a situação em que o mundo se encontra é mesmo os humanos que nele habitam. Pessoas como eu, pessoas como tu. A olho nu aparentam ser uma pessoa normal, racional, ponderada, inteligente. Mas quando examinamos microscopicamente começamos a ver pequenos defeitos. Defeitos esses que se vão tornando insuportáveis. Dia após dia. Como um balão, quanto mais assopramos mais ele vai enchendo, e se não tivermos cuidado arrebenta. E antes de nos apercebemos o balão esta danificado. No chão, sem remendo. E depois?
Que material poderíamos utilizar para remendar algo sem visível conserto?
Nenhum. No máximo iríamos voltar a loja e comprávamos outro pacote.

Não existe respeito. A comunicação é tão rudimentar, tão primária. Será assim tão difícil falar? Exprimir um sentimento, um olhar, um gesto, uma experiência?
Se comunicassem as imperfeições podiam ser aperfeiçoadas ou até mesmo desaparecer progressivamente. Não entravamos em estado peixe-balão.


Tenho a certeza que o mundo seria um lugar mais bonito se não entrássemos em estado peixe-balão. Chamem-me ingénua. Não, não. Melhor, perguntem-me quantos anos tenho.


FEEL LIKE..: Atitudes
Som:: Tiago Bettencourt- canção simples

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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
Deliro
Era Verão. E ela estava fria, muito fria. Olhou em redor. A comida estava ali há vários dias. Descreveu-a mentalmente como pútrida e bolorenta. Conseguia ver o cotão a passear. O vento entrava pela janela, aquele vento quente. A pilha de cartas encostada à porta caiu. Uma delas era do seu senhorio, já era a quinta, mas ela não queria saber. Sentia-se gelada.
Arrastou-se forçosamente para a janela. Pelo movimento da rua devia ser quatro da tarde. Uma senhora dos seus trinta e poucos anos deixou cair a pasta e uma criança traquina pisou-a propositadamente. Um emigrante folheava um jornal esperançoso. Um polícia desocupado multava um carro. Um casal apaixonado passeava e sorria. E ela, sentia-se morta. Vazia. No entanto respirava...
Com alguma dificuldade levantou-se, dirigiu-se a um espelho. Olhou-se. Levou algum tempo a reconhecer aquela pessoa. O cabelo estava comprido, espigado. Há muitos que não via uma tesoura. Olhos de quem tinha passado dias a fio a chorar. As olheiras agora também faziam parte dela. Sentia-se imunda. E estava: não tomava banho desde que perdeu o calor, a energia, a vontade de viver. Sentia-se uma espécie de eremita.

Desviou o olhar, com olhos de quem não quer ver, com vergonha. Olhou para o chão. Deu um passo atrás. Pisou algo. Inspirou. Segura de si deu um passo em frente e olhou outra vez para a imagem reflectida no espelho. E foi naquele momento que viu quem era pela primeira vez. Não era fraca nem cobarde. Era apenas ordinária.
Sentiu-se a vibrar de novo.



Dizem que até não é um mau blog :D



Obrigada Ana pela escolha :)


Regras:


1. Este prémio deve ser atribuído aos blogs que considerem serem bons, entende-se como bom os blogs que costuma visitar regularmente e onde deixa comentários.
2. Só e somente se recebeu o “Diz que até não é um mau blog”, deve escrever um post:
- Indicando a pessoa que lhe deu o prémio com um link para o respectivo blog;
- A tag do prémio;
- As regras;
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio.
3. Deve exibir orgulhosamente a tag do prémio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele.
4. (Opcional) Se quiser fazer publicidade ao blogger que teve a ideia de inventar este prémio, ou seja – Skynet - pode fazê-lo no post).


Veio da http://anouke.blogs.sapo.pt/ (Ana) e atribuo a:

- http://cantinhodaplim.blogspot.com/ : Foi um dos primeiros blogs que comentei e gosto bastante de ler o que ela escreve.
- http://anouke.blogs.sapo.pt/ : apesar de não comentar, gosto de passar por lá para verificar a sua melhora ;)
- http://cronicasdeumamaeatrapalhada.blogs.sapo.pt/ : Uma boa professora de História e uma boa mãe ;)
- http://wildcoments.blogs.sapo.pt/ : Joaninha, Joaninha...:P gosto de ler o que esta menina escreve..


Bem...não são sete mas são quatro maravilhas!
E agora, vou dedicar-me profundamente ao Alemão. Snif

FEEL LIKE..: Toma(S)
Som:: Barulho do pc.


Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Lágrima de preta
Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio,
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão, Máquina de Fogo (1961)


Gosto bastante de ler António Gedeão, utiliza uma linguagem simples e metafórica (mesmo ao meu gosto).


Quando as ferias chegarem, espero escrever mais aqui. Tenho gostado de escrever crónicas para Português, talvez passe um excerto para cá. Ou o tal texto sobre a profissão mais antiga do mundo que já tinha 'prometido' há muito tempo. Bem...depois logo se vê.

Auf-Wiedersehen / Adios / Adeus/ Bye / Au revoir / arrivederci

FEEL LIKE..: :D :D
Som:: Oasis- live forever


Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
A Casa dos beijos

    Iam os dois pela rua, de mãos dadas. Dir-se-ia que não pisavam o chão. Dir-se-ia que deslizavam, que vogavam, que voavam. A felicidade estava-lhes cunhada nos rostos; e também nos gestos, nos sorrisos, no olhar. Iam de mãos dadas pela rua e iam muito felizes.

    Ela tinha os cabelos longos e soltos, o tronco alto. Os seios puxados para a frente, as pernas esbeltas e livres, saias curtas. Ele era um pouco mais alto, um pouco apenas, camisa aberta, calças de ganga, uma pequena mala, daquelas malas dos antigos guarda-feios da Carris, a tiracolo. Isso: a mala estava a tiracolo, e eles iam muito felizes, os dois, de mãos dadas.

    Nem sequer reparavam que muitas pessoas os observavam. Algumas pessoas com a conivência de um sorriso. Outras pessoas com um ressaibo de inveja, no olhar de esgelha. Pararam um pouco em frente à Pastelaria Suiça, no Rossio, ele disse qualquer coisa a ela, ela encolheu os ombros. Não deixavam de sorrir enquanto conversavam. Depois entraram e beberam café.

    A esplanada da Suiça estava cheia de sol e de estrangeiros. Um vendedor de lotaria ofereceu jogo. Um rapaz sujo pediu algum dinheiro. Dois homens encontraram-se e abraçaram-se com efusão. Uma mulher apressada deu um encontrão num cego. Um cigano tentava vender relógios. Um polícia contemplava as coisas com evidente indiferença.

    O rapaz e a rapariga decidiram, depois de tomar café, passear pelo Rossio. Estavam muito felizes. E é bom que se repita isto, porque as pessoas, habitualmente, andam para aí cheias de infelicidade, ao menos que haja alguém feliz, mesmo que seja uma ou duas pessoas.

    Passeavam pelo Rossio e, de vez em quando, davam beijos, sempre sorrindo um para o outro, como se estivessem a sorrir para todo o mundo, e todo o mundo experimentava uma grande sensação de espanto e de júbilo. Paravam junto as montras do Rossio, olhavam, claro, mas não fixavam nada do que nas montras se expunha, só sabiam um do outro, só estavam ali juntos para apenas estar um com outro, juntos e assim mesmo: de mãos dadas e aos beijos.

    Foi numa dessas ocasiões. Beijavam-se tão felizes, tão um do outro, que essa felicidade molestou uma senhora obesa e flácida. A senhora obesa e flácida estacou, indignada, a fuzilá-los com as balas do ódio. E gritou:

    - Não podiam fazer isso em casa?

    A rapariga dos longos cabelos e seios puxados para a frente deixou o beijo a meio. O rapaz experimentou uma estranha sensação de pasmo. Olharam-se. E foi então que a rapariga respondeu, indicando tudo em derredor:

    -  Esta é a nossa casa!

    Nesse instante témulo, o mundo feliz, começou a aplaudir.


 


 

Baptista-Bastos,

Lisboa Contada pelos Dedos

Gostei de ler isto em Português.
Aliás, este livro de português é uma maravilha.



FEEL LIKE..:
Som:: Placebo- pierrot the clown


Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Cybercobardia
    Sabem que mais? Não tenho vontade de escrever aqui. Já não sei qual é e foi o meu objectivo e para além disso a quantidade de vezes que sinto que não sei escrever é tão constante que apetece-me acabar com este blog. Não é dar uma pausa como se fosse Verão, mas sim por fim a esta mistura de pensamentos. Não o vou fazer porque é uma atitude inconsciente (apesar de esta sensação de burrice pairar por estes lados desde que criei o blog) e porque não quero arrepender-me de nada. Pode ser que alguém se sinta como eu e fique contente e cante quando ler isto: NÃOOO NÃOOO SOU O ÚNIIICOOOO , NÃO SOU O ÚNICCOOO ( a olhar o céu).



Cybercobardia

    Excepção feita ao correio electrónico e à consulta de «sites» informativos, a Internet interessa-me zero. Todo esse universo dos «chats» e dos blogues não apenas me é absolutamente estranho como ainda acho paradoxalmente, uma preocupante manifestação de um processo de dessocialização e de sedentarização das solidões para que o mundo de hoje parece caminhar. Saber que nesses 'sítios' imateriais é possível fazer praticamente tudo, desde arranjar parceiros amorosos até recrutar terroristas não é, a meu ver, um progresso ou facilidade, mas uma espécie de impotência, de desistência de viver a vida como ela é.
    Tenho lido muitas opiniões contrárias, de gente que acredita que os blogues e toda essa conversa in absencia » são uma forma moderna de democracia de massas, directa e instantânea, como nunca houve: uma espécie de speaker's corner » planetário. Mas discordo: não penso que a qualidade da democracia se meça pela quantidade de envolvidos e, menos ainda, pela irresponsabilidade. Não há liberdade de expressão onde existe impunidade do discurso. E se no speaker's corner » fala quem quer, também é verdade que quem fala tem o rosto a descoberto, pode ser convidado pelos circunstantes a identificar-se e pode, sobretudo, ser confrontado e contraditado por estes - enquanto na maioria dos blogues o anonimato é regra, santo e senha.

Miguel Sousa Tavares, "Expresso",
28 de Outubro, 2006 (excerto)



Concordo porém esse universo é o meu e de muitos outros.



Sábado, 25 de Agosto de 2007
Auf Wiedersehen!
«Todavia, ao observá-la, disse de mim para mim angustiada, que não tivéramos tempo bastante para curar totalmente as feridas dela, que talvez ela não tivesse a força suficiente para tolerar a minha dolorosa forma de ensinar. Na verdade, ao passo que este método me convinha, não estava a ser injusta, por não lhe dar outra escolha? Mas o que devia ter feito? Sentia o coração despedaçado ante a ideia de que recebera a criança errada, aquela que ferira, em vez de ajudar. Um comportamento utópico era sempre, obviamente, possível na teoria. Só que na pratica, mais vale o conformismo - é menos arriscado.»


Torey Hayden, A criança que não queria falar


Hallo, gostava de apresentar qualquer coisa mais elaborada, sim gostava, mas não tive tempo... (Que péssima desculpa) Anyway postei porque já estive muito ausente, é so para não 'abandonar' o meu cantinho.





Spider pig, spider pig, does whatever a spider pig does/can he swing from a web, no he can't, he's a pig, LOOK OUT, he is the spider PIG!


 

Quando a escola começar...eu começo a funcionar devidamente.
PROMETO!


Muahhhh *



Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
All the world is a stage
Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu
[queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!


Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos



Podiam ter a vossa frente um texto sobre o livro "A menina que não queria falar" de Torey Hayden que podem encontrar numa livraria qualquer mas deixo-vos com Fernando Pessoa que é muito melhor.
Quem é que não adora a "feira do livro"?
Que belos achados!

FEEL LIKE..: Daddy, can i change the world?
Som:: sweet dreams


Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
É urgente estudar (ou não)
 Querem saber por onde a minha cabeça anda?
Aproveitei esta tarde para estudar para o Exame Nacional de Português (amanhã).
E agora, estou a fazer uma pausa, mas como não gosto de chocolates, here i am BABYYY .




Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas;
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade, Até amanhã



Até amanhã porque é urgente descansar e sonhar.

FEEL LIKE..: Cansada e farta de matemática.
Som:: sere nere
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007
Escada sem corrimão
É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.


David Mourão-Ferreira, Antologia Poética [1948-1983], Publ. Dom Quixote

FEEL LIKE..: uhh in a dream
Som:: The Verve Pipe - Bittersweet Symphony

published by Fools Paradise às 00:09
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