Escrevo em meio do que sou e do que vejo.
E digo-vos, com certeza:
A vida é um teatro. Mas é que é mesmo. Todos os dias pisamos um palco e protagonizamos um papel. Mesmo que seja um papel secundário, essa parte é nos inerente. Pode ser insignificante e, provavelmente, até os porcos merecem melhor. Mas, lá esta, às vezes, é suposto ser essa a nossa função. Sermos o background da peça. Ao menos temos um papel, mesmo sendo este, perdoem-me o português, um papel de merda. Somos marionetas, os veículos com rumo pré-definido. As vezes, farto-me de ser actriz e revolto-me contra este sistema que me é impingido. Custa me ficar parada, a aceitar uma realidade nojenta.
Há uns dias disseram-me qualquer coisa do género:
"O Homem é um ser bio-psico-social"
Pois é, sem dúvida alguma! Não é preciso ser génio para compreender o que de facto somos. Uma cambada de abutres que accionam o alarme quando vêem um corpo sem cabeça a falar sozinho (e se o que acabei de dizer não foi suficientemente explicito, então não leias mais)
Pah, odeio generalizar mas a verdade é que 99,8% daquelas generalizações estúpidas, ignorantes e preconceituosas são verdadeiras. Muitos negam, tentando mudar a direcção do seu veículo e afirmam " eu não sou assim e não penso dessa maneira" mas a verdade é que metade do teu rebanho não pensa como tu e, com o tempo, aculturas-te (esta palavra, provavelmente não existe no teu planeta).
Enquanto tentar mudas a direcção do teu veículo, enquanto pressionas os outros para revoltarem-se contra o sistema, vês pela primeira vez que todos os outros do teu rebanho tem papéis principais e que não são ovelhas negras como tu e como tal, recusam-se.
E tcharan, o belo processo da aculturação faz-se.
O que é uma pena porque as vezes as melhores qualidades são encontradas atrás das cortinas, nas tais ovelhas negras ofuscadas pelos rebanhos perfeitos.
Conclusão: Cavaram, enterraram e cuspiram em cima do psico e, para acabar a receita misturaram com azeite o bio e o social.
À parte do que me vai na cabeça, estou contente : D porque as pessoas que são realmente as minhas ovelhas, comem paletes de psico ao pequeno-almoço e cagam todas as noites postas de bio.
Pões me a pensar. Tenho tudo arrumado. Pelo menos aparenta estar. Os livros estão no seus sítios, imóveis mas impacientes. Os cadernos que cheiram a novo também. Está tudo preparado para um novo começo ou será a continuação de algo? O que está ao meu alcance está no devido sítio, tangível. Às vezes penso, como é que me preparo para o que está para vir. Como tenho forças para continuar e ser mais forte que eu. Ser mais forte que eu e superar o corpo que diz que não, que não consegue. Existe sempre qualquer coisa a deitar-nos a baixo, a tentar desistir. É uma luta constante dentro de mim. Lutar ou desistir. Porém a mente que é algo incrível cuja força é simplesmente descomunal. Capaz de contrariar, iludir, dissuadir e até mesmo enganar um corpo cansado. Mas, quem prepara a mente ? Preciso de arranjar as minhas prateleiras que estão caídas no chão quebradiço e poeirento. Arrumar a minha mente aparentemente forte e a minha fraca vontade.
Preparar-me.
Controlar as minhas acções.
Obter resultados.
Ser consciente de que sou mais forte do que pareço.
Quero realizar. Acabar o monstro dentro de mim que diz que não consigo.
Não, acabar com o monstro não! Ele viverá bem dentro de mim pois ele torna-me mais forte, mostra-me que quanto mais me desafiam mais eu consigo obter de mim.
Por isso, vou arranjar as minhas prateleiras velhas e cansadas. Vou arrumar os meus livros imaginários nela. E vamos começar tudo de novo como se não tivesse acontecido nada. E vamos conseguir outra vez tudo de novo. É possível porque existe algo dentro de nós que consegue ser mais e melhor que normalmente somos e puxa-nos para frente pois caso contrário seriamos estátuas. Incapazes de dar o próximo passo. O passo que nos leva ao desafio que tememos. Essa voz existe para cessar toda essa hesitação tola e despromovida de razão. Basta acreditar que podes ser melhor e fazeres por isso. E puxares te ao limite e veres os resultados. Ninguém tem o que tem sem ter lutado por isso.
Só não existem "estrelas" no céu se não quiseres que lá estejam.
Ciao.
Sinto-me um pouco mal pelo facto de ter ficado quase um ano sem escrever aqui...
Bem a verdade, é que vieram as férias de verão, onde raramente me encontrei em casa, mal mexi no computador...Logo depois, começou a escola outra vez ,e estava decidida a atingir uma certa média. De modo que, para conseguir isso tive de abdicar de algumas coisas, e o meu bloguezito foi uma delas...(conclui que passava demasiado tempo na net)
Pelo menos uma coisa é positiva: melhorei razoavelmente as minhas notas, tendo atingido, pelas minhas contas a média que so no terceiro período do outro ano consegui! Estou realmente contente, mesmo sabendo que podia ser melhor se não tivesse ficado um pouco relaxada depois de ver as notas da primeira "ronda" de testes..
Estava a tentar desculpar-me só para mostrar que não abandonei o Fool's Paradise, pelo menos completamente!
Nesmo momento estou a ler uma trilogia de Stephenie Meyer, de certo que já ouviram falar do filme, "o crepúsculo", ou simplesmente, "twilight". Estou a gostar bastante, aliás em quatro dias, li dois livros dessa "saga" e agora, estou infelizmente à espera do livro "breaking dawn", que demora mil anos, ou pelo menos dá essa sensação, a ser transferido da fnac do Chiado para a fnac do colombo. Incrível, mas não me ponham a falar disto, que fico...fula!
A história cativou-me bastante, talvez por o termo de vampiro ser abordado noutro modo (não que ao longo da história exista muitos relatos sobre vampiros, estou a referir-me aos filmes até agora feitos), não como uma besta mas, sim como alguém que se esforçava por ser diferente e consequente resistir à tentação de matar pessoas. É bom ver novas abordagens de assuntos "estranhos". Não faço a mínima ideia se existem ou se existiram mas, que este e mais assuntos são falados desde os confins da história, lá isso são, não que isso lhes confira veracidade. Se não fosse para estes assuntos (e outros mais, como a bruxaria, enfim todos os atentados à palavra da igreja) para quê serviu a tal chamada, Inquisição, de que tanto já ouvi falar, que combatia esses seres "diferentes" e considerados heréticos?
É uma bela história, cheia de amor e aconselho vivamente a verem o filme ou para uma abordagem mais completa, lerem o primeiro livro e os outros também, se gostarem claro. É pena serem caros, mas também, agora é raro o livro que não é caro (com muita pena a minha carteira)! Aproveitem os saldos, vão à Fnac. Tão cedo não vou à Bertrand, reparei que é um tanto mais cara.
Para mais informações sobre os livros, vejam o site da escritora Stephanie Meyer, pesquisem com o nome dos livros "crepúsculo", "Nova Lua", "Eclipse", "Breaking Dawn" e tem ainda "Midnightsun" (penso eu que é este o nome do livro, ainda está a ser escrito mas há um excerto bastante grandinho dele no site da escritora- que podem fazer download como eu fiz.-, este livro corresponde ao crepúsculo mas adopta a visão de Edward e não de Bella, como nos outros).
Peço desculpa por não responder aos comentários, a verdade é que gostava de ter tempo para estar sentada ao computador mas não tenho. Mas espero vir a ter!
Ah, lembrei-me agora! Fiquei espantada com o número de visitas que o meu blog tem, não imaginava que fossem tantas...até parece que é interessante! De qualquer maneira, pode corresponder ao número errado, sei la eu...
Até a uma próxima!
Desejos de um ano maravilhoso e que a "crise" não se mostre tanto como a adivinham!
" Dá-me o telemóvel."
O que aconteceu não me surpreende nada, pelo que existe bem pior. E sinto-me soviética quando pessoas perante a notícia agem totalmente ofendidas, como se nunca considerassem possível isto acontecer.
Não estou a dizer que o mal é da minha geração, até porque não é um caso que dita a educação em Portugal, mas lá porque os outros casos não foram parar ao youtube não quer dizer que eles não existam.
Pessoalmente, não me agrada o facto de não puder utilizar o telemóvel assim como não me agrada a historia das aulas de substituição e das faltas, mas já não estou no 5º ano, não estou ensino obrigatório e portanto se quero aprender submeto-me às regras que btw prejudicam-nos imenso..
Penso que não é pelo facto de haver leis para tudo e mais alguma coisa que este assunto acabará, até porque os portugueses arranjam sempre uma maneira de contornar as leis, sejam elas quais forem...Desde conduzir alcoolizado a fumar em locais fechados a utilizar telemóveis dentro da sala de aula...
Para mim o que defini um bom professor para além do método de trabalho, é a maneira como lida com os alunos. Os adolescentes são pessoas em fase de crescimento, com a personalidade a ser traçada e portanto os professores tem grande influência sobre eles.
Um professor que nas primeiras aulas mostra-se rígido, exige respeito e não dá espaço para brincadeiras, é aquele que mais tarde irá conseguir ser respeitado quando a matéria do sumário não é o assunto de conversa.
Associo também esta lógica ao insucesso escolar, uma professora respeitada consegue cumprir o programa da disciplina e acaba por gerar algum interesse por parte dos alunos na disciplina enquanto que se não for, dificilmente acabará o programa e conseguirá que os alunos tenham retido alguma informação.
Os alunos pedem para serem tratados como adultos e no entanto não sabem como se comportar. O professor é a «entidade» máxima na sala de aula e como tal deve ser respeitado, não existe lugar para reacções descabidas...
O estatuto do aluno já é suficientemente mau para fazerem isto, nem quero imaginar que consequências irá trazer...
A esta hora deve estar a ministra da educação a pensar na sua próxima lei!
Como já disse os professores são um pilar importantes na nossa educação, constroem bases para os nossos ideais e para não falar o futuro que nos proporcionam, mas não existe nada melhor do que o poder paternal. São os pais que ensinam a distinguir o bem do mal, como agir em determinadas situações, a respeitar os outros, a ser justo...
Educar uma pessoa tem muito que se diga, exige responsabilidade e sabedoria, saber lidar com um jovem é bastante complicado... Como diz um ditado, " De pequenino se torce o destino", ceder a caprichos em criança pode resultar nisto, talvez um grande e sonoro "Não" evitasse muitas crianças mimadas!
Mas toda esta educação torna-se silêncio quando o barulho da natureza do ser humano é maior, isto é, apesar da liberdade do adolescente, no geral, ser mínima, é ele que decide como reagir e portanto constrói-se.
Por exemplo se abandonarmos alguém instruído, sozinho, durante vários anos numa ilha selvagem, se mais tarde a fomos buscar é provável verificarmos que essa pessoa tornou-se mais "primitiva", a comunicação tornou-se mais rudimentar e que alguns hábitos humanos foram esquecidos. Acontece o mesmo com os adolescentes mas o processo demora menos tempo... apesar de termos sido ensinados a fazer isto e aquilo, devido a varias razões escolhemos um caminho diferente, que por vezes não é o mais correcto.
Não concordo com o que a professora fez, evitava todo este problema convidando a aluna a por o telemóvel em cima da mesa dela e dizendo-lhe que podia reavê-lo quando o encarregado de educação fosse ao conselho executivo busca-lo, mas lá está ninguém é perfeito. Se a aluna recusasse chamava alguém para a por na rua, falta disciplinar com direito a processo e pronto acabava ali, isto se não houvesse nenhuma reacção inesperada da aula.
Posso não concordar com a reacção professora mas é obvio que também não concordo com a falta de respeito por parte da aluna, como já disse o professor é a entidade máxima e como tal deve ser respeitado.
Consta-me que existe quem arranje maneira de fazer dinheiro com este caso, produzindo t-shirts (músicas e vídeos para o telemóvel também) com as frases mais emblemáticas do acontecimento. O caso só por si denigre a imagem da Educação em Portugal não era preciso alminhas como estas a ajudarem a festa!
" (....) esta obsessão relativa à «imoralidade» sexual é nem mais nem menos um dos mais velhos temores sociais do homem: o medo do prazer. E, como o prazer sexual se conta entre os mais intensos e vivos que se podem sentir, acaba por se ver rodeado de precauções e receios extremamente acentuados. Por que é que o prazer assusta? Suponho que será porque nele temos muito gosto, demasiado gosto. Ao longo dos séculos , as sociedades tentaram sempre evitar que os seus membros se comprazessem em satisfazer o corpo a toda a hora e momento, esquecendo-se do trabalho, da previsão do futuro e da defesa do grupo: a verdade é que uma pessoa nunca se sente tão contente nem tão de acordo com a vida como quando tem prazer; somente, se com isso esquecer tudo o mais, acabará por nao viver muito tempo."
Fernando Savater, Ética para um jovem
O meu computador avariou, e só voltou hoje. Sem um único ficheiro mas voltou, e logo eu que tinha trabalhos desde o 5.ºano!
Iam os dois pela rua, de mãos dadas. Dir-se-ia que não pisavam o chão. Dir-se-ia que deslizavam, que vogavam, que voavam. A felicidade estava-lhes cunhada nos rostos; e também nos gestos, nos sorrisos, no olhar. Iam de mãos dadas pela rua e iam muito felizes.
Ela tinha os cabelos longos e soltos, o tronco alto. Os seios puxados para a frente, as pernas esbeltas e livres, saias curtas. Ele era um pouco mais alto, um pouco apenas, camisa aberta, calças de ganga, uma pequena mala, daquelas malas dos antigos guarda-feios da Carris, a tiracolo. Isso: a mala estava a tiracolo, e eles iam muito felizes, os dois, de mãos dadas.
Nem sequer reparavam que muitas pessoas os observavam. Algumas pessoas com a conivência de um sorriso. Outras pessoas com um ressaibo de inveja, no olhar de esgelha. Pararam um pouco em frente à Pastelaria Suiça, no Rossio, ele disse qualquer coisa a ela, ela encolheu os ombros. Não deixavam de sorrir enquanto conversavam. Depois entraram e beberam café.
A esplanada da Suiça estava cheia de sol e de estrangeiros. Um vendedor de lotaria ofereceu jogo. Um rapaz sujo pediu algum dinheiro. Dois homens encontraram-se e abraçaram-se com efusão. Uma mulher apressada deu um encontrão num cego. Um cigano tentava vender relógios. Um polícia contemplava as coisas com evidente indiferença.
O rapaz e a rapariga decidiram, depois de tomar café, passear pelo Rossio. Estavam muito felizes. E é bom que se repita isto, porque as pessoas, habitualmente, andam para aí cheias de infelicidade, ao menos que haja alguém feliz, mesmo que seja uma ou duas pessoas.
Passeavam pelo Rossio e, de vez em quando, davam beijos, sempre sorrindo um para o outro, como se estivessem a sorrir para todo o mundo, e todo o mundo experimentava uma grande sensação de espanto e de júbilo. Paravam junto as montras do Rossio, olhavam, claro, mas não fixavam nada do que nas montras se expunha, só sabiam um do outro, só estavam ali juntos para apenas estar um com outro, juntos e assim mesmo: de mãos dadas e aos beijos.
Foi numa dessas ocasiões. Beijavam-se tão felizes, tão um do outro, que essa felicidade molestou uma senhora obesa e flácida. A senhora obesa e flácida estacou, indignada, a fuzilá-los com as balas do ódio. E gritou:
- Não podiam fazer isso em casa?
A rapariga dos longos cabelos e seios puxados para a frente deixou o beijo a meio. O rapaz experimentou uma estranha sensação de pasmo. Olharam-se. E foi então que a rapariga respondeu, indicando tudo em derredor:
- Esta é a nossa casa!
Nesse instante témulo, o mundo feliz, começou a aplaudir.
Baptista-Bastos,
Lisboa Contada pelos Dedos
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